Coluna Sommelier – Como Harmonizar Vinhos na Ceia de Natal

A ceia de Natal geralmente é cheia de texturas, sabores e aromas então uma das regras para harmonizar os diferentes pratos com vinho é ser flexível e achar algo que se de bem com tudo, além do mais, a época é de calor e como “herdamos” um cardápio de inverno para a data podemos pegar leve no vinho pra que ele possa não só harmonizar com a comida, mas com o clima, ajudando a refrescar. 

XMAS_TURKEY

As entradas ou aperitivos, sempre variados, são muito bem acompanhados por um bom espumante, um nacional produzido no Vale dos Vinhedos pelo Método Tradicional é o Miolo Cuvée Tradition Brut ou o Champagne Taittinger.

Taittinger 6 BOTTLES CASE low res

O peru é feito de várias maneiras, mas, geralmente é uma carne que leva toques defumados e levemente adocicados, além de ser uma carne não tão suculenta.
Gosto muito de harmonizar esse prato com um leve e refrescante Riesling Alemão, com um toque discreto de doçura e a excelente acidez da Riesling, uma opção é o Dr. Loosen Riesling. Se a opção for tinto, escolha um leve, que podemos servir mais refrescado (14ºC) e que tenha notas de fruta fresca e madura, um bom exemplo é o Céfiro Reserva Pinot Noir do Vale de Casablanca no Chile ou  um bom Zinfandel Californiano, Ironstone Reserve Old Vines Zinfandel, com notas de frutas maduras doces, geleia e presença de um leve tostado da madeira, taninos macios e presentes.
Em alternativa como outro branco, um Alvarinho (Vinho verde) Portal do Fidalgo, também com excelente acidez e de bom corpo.

panetone_gg_13111111119153584 

E pra sobremesa um vinho do Porto Tawny, como o Messias 10 anos, que leva a doçura natural do vinho e notas de frutas secas harmonizando bem com Panetones e doces a base de chocolate.
Se a sobremesa for sem a presença de chocolate, mais frutas e cítrica, sugiro um Sauternes tipo Château Cantegril.

Eduardo M Araujo
Certified Sommelier
eduardo@santaadega.com.br
www.vinho365.com.br

Eu amei as dicas e vou colocar em prática na ceia de Natal. A-do-ro o Taittinger, um dos meus preferidos. Prefiro um Pinot Noir na hora do perú e vou de Sauternes, que amo, na sobremesa.

Espero que tenham gostado, boas escolhas e bom jantar!

Vinhos da Califórnia

Estou embarcando para umas férias na Califórnia – superanimada!!!
Já sabendo da cultura de vinhos da região, em especial Napa Valley, que está no meu roteiro, pedi para o nosso sommelier do blog nos dar dicas de tudo sobre lá.
Eu já fiz uma matéria breve sobre eles AQUI!
O Eduardo se formou ali e conhece bastante! Quem já pesquisou sobre Napa e as vinícolas sabe: que dúvide de onde ir, qual vinícola visitar e quais vinhos comprar.

Aproveitem então a matéria!
Para quem está planejando uma viagem para lá, espero que ajude. Para que não tinha pensando ainda, vai que a ideia pareça boa, não é?!
Enjoy it!
Edu querido, muito obrigada! Tudo anotado!!! Até a volta queridos!

wine-country-california-gail-salituri

Se olharmos a Califórnia no sentido econômico, cultural e até mesmo populacional podemos considerar que esse importante estado americano é praticamente um país a parte. E isso não é diferente quando falamos de vinhos. Responsável por cerca de 90% da produção de vinhos do Estados Unidos a Califórnia é um verdadeiro mosaico enológico.  

A variedade de solos, climas e elevações faz desse estado um player extremamente importante no mercado de vinhos mundial, tanto que uma das regiões vinícolas mais famosas do mundo é sem dúvidas o Napa Valley. Mas, não é só em Napa que a mágica acontece, praticamente toda extensão territorial da Califórnia é explorada, seja para vinhos populares ou para grandes ícones.  

Basicamente a concentração de quantidade se encontra na zona Central e suas múltiplas AVAs (American Viticultural Area), mas também regiões como San Luis Obispo, Lodi e Paso Robles produzindo alguns dos melhores vinhos da uva Zinfandel e também variedades que são típicas do sul da França, no Vale do Rhône, como Syrah, Grenache e Mourvedre. Nessas regiões alguns “cult wines” californianos foram criados, como Saxum por exemplo. 

Contrastando com essa região quente e seca temos Monterey e Carmel com uma influência marítima muito grande e um clima mais fresco, perfeito para bons vinhos das uvas Pinot Noir e Chardonnay principalmente na AVA de Santa Lucia Highlands em vinhos como Kosta Browne e Carlisle. No fim da zona central, sentido norte está a famosa AVA de Santa Cruz Mountains, com seus vinhedos em altitudes variadas geralmente nas encostas de colinas, produzindo vinhos muito interessantes da uva Pinot Noir e também Cabernet Sauvignon, como o clássico Ridge Montebello.  

Mas, sem sombra de dúvidas, o charme da Califórnia está na sua parte Norte, acima da Baía de San Francisco entre o Pacífico e o Napa Valley. Ali, as regiões de Sonoma e Napa produzem alguns dos melhores vinhos do mundo e são divididas em diversas sub-regiões, ou AVAs, de acordo com solos, montanhas, rios e micro-climas.  

Em Sonoma alguns dos vinhos mais premiados da Califórnia são produzidos, sua influência marítima e sua grande variação de micro climas, fazem com que uma grande diversidade de uvas sejam produzidas. Mas, a principal é sem dúvida a Pinot Noir, principalmente em Russian River, destaque para Kosta Browne, Carlisle, Aubert e Marcassin que também produz um Chardonnay fantástico. A Zinfandel também se sai muito bem por lá, num estilo mais elegante que o da zona central.  

Sonoma também é lar da vinícola do famoso diretor de cinema, Francis Ford Coppola. 

Em direção ao interior Carneros é uma AVA que praticamente liga Sonoma e Napa Valley, e por lá se produzem alguns dos melhores espumantes Californianos, principalmente com Domaine Carneros e Gloria Ferrer. 

E ali, entre a St. Helena highway e a Silverado Trail que temos a tão famosa região de Napa Valley.  

Reconhecida mundialmente pela qualidade dos seus vinhos no final da década de 1970 como efeito do famoso Julagemento de Paris (1976) onde os vinhos californianos desbancaram os clássicos franceses numa degustação às cegas, Napa Valley é hoje um dos principais produtores de excelentes Cabernet Sauvignon do mundo. São 16 AVA’s nomeadas de acordo com suas montanhas e cidades, 18.000 hectares de vinhedos e mais de 600 vinícolas produzindo diversos estilos de vinhos, mas sem dúvidas os proeminentes são os grandes Cabernet Sauvignon e um Chardonnay de estilo bem próprio.  

Poderia passar um dia inteiro nomeando vinhos clássicos desse local, de todos os estilos e preços variando de US$5,00 a mais de US$500,00 dólares a garrafa. 

Se você busca os “cults” é bom olhar para Screaming Eagle, Araujo, Schrader, Dunn, Harlam Estate  e Bryant, entre outros. 

Mas, se busca vinhos excelentes e não tão raros pode se deliciar com Cliff Lede, Stag’s Leap, Turley, Beringer, Quintessa e o conhecido Robert Mondavi. 

A variedade é imensa e com certeza os vinhos irão surpreender. 

Eduardo Araújo
Sommelier
eduardo@santaadega.com.br

Tostex de Linguiça com Geleia

Tostex, ou o famoso e simplesinho “misto quente” brasileiro. Aqui, ninguém dá valor pois é comidinha de casa, barata e sem vida. Engana-se quem ainda pensa assim.
Desde sempre, o tostex é figurinha carimbada nos bares e restaurantes mais famosos do mundo! Na Itália, difícil não encontrá-lo no menu, especialmente dos aperitivos de bar. Restaurantes Três estrelas Michelin – como o Da Vittorio que sempre falo aqui, onde já estagiei – e no Fasano, por exemplo, são dois deles.
Por isto, invista sem medo! É gostoso, aliás, delicioso e agrada a todos os paladares. Para servir de entrada, aperitivos no bar ou em festas.
Uma receitinha diferente para variar o queijo  presunto é esta que estou indicando hoje.
Em seguida, a sugestão do nosso sommelier Eduardo Araújo para harmonização. Show!

tostex-de-linguica-e-queijo

Rendimento 1 porção
Tempo de preparo 10 min

Ingredientes
2 fatias de pão de fôrma
1 linguiça calabresa pequena
3 fatias de queijo prato
1 colher(sopa) de geleia de sua preferência – adoro a de pimenta e de frutas vermelhas!

Modo de fazer
Toste a linguiça em fatias na frigideira.
Recheie o pão com o queijo e a linguiça tostada.
Coloque no tostex e leve ao fogo baixo, virando até os dois lados estarem dourados.
 Sirva com a geleia à parte.

Harmonização:

Se for uma geleia de pimenta pode ser um Shiraz Sul Africano – Nederburg Shiraz, mais fresco e apimentado.

Se for uma geleia de Mirtilo pode ser um Shiraz Australiano, com notas de geleia de frutas, e frutas bem maduras, com taninos doces.  Mitolo Jester Shiraz